segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

 Encarar o cadafalso e sentir a corda atraente. Sentir-se com a corda no pescoço a todo tempo.

Mover-se para baixo, em direção ao chão. 

Deitar-se imóvel.

Os dias nublados se parecem iguais. A chuva que teima em cair, oras leve, oras violenta. A árvore que cai no caminho.

O caminho desviado. A dor.

Vontade de fugir, de sair dessa pele que nem sei se habito de fato.

O aperto no coração, a angústia, a lágrima escorrendo no ritmo da chuva. 

Por vezes quase torcendo por algum sintoma que possa ser desculpa, que seja compreensível. Algo que me dê descanso, já que paz talvez não haja.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Mar

 Meu final de semana foi ótimo, cheio de encontros positivos, música, família e amor. Mesmo assim me sinto esgotada desde então. Como se eu não pudesse me divertir por conta de tudo que preciso fazer. Como se fosse errado dançar ou rir ou ver um jogo porque eu deveria estar trabalhando. 

Sinto-me ansiosa, tensa. Sentindo a respiração pesada no peito. E uma dor que não sei de onde vem nem quando vai. Escrever continua sendo um refúgio terapêutico de organização das ideias e sentimentos. Entretanto as vezes não é tão eficiente nem tão rápido quanto eu gostaria. Ansiosa até mesmo para me sentir bem, claro. 

Me sinto a deriva no mar. As vezes indo em direção a costa de forma pacífica, por outras sendo arrastada, sufocada, perdida na quebra das ondas que me empurram para baixo.

Tento sempre encarar de frente, não importa o tamanho do desafio. Sinto-me pequena diante da vida, aí lembro que aprendi a mergulhar para deixar a onda passar. E o mar, com o humor que for, é sempre um bom professor, basta querer aprender.

domingo, 11 de dezembro de 2022

 Hoje dormi. Dormi muito. E agora, que surpresa, estou com insônia.

Cansada demais para trabalhar, ansiosa demais para relaxar.

Um dia após o outro seguimos assim. Respirando fundo, acolhendo todas as partes de mim.


domingo, 13 de novembro de 2022

A derradeira hora

 A prorrogação da prorrogação. Aquilo que seria inviável, de acordo com a banca que apresentei o cronograma inicial da pesquisa. 

Aquilo que talvez não devesse ter se estendido tanto. Ao mesmo tempo, é isso: esse é o possível. 

Depois que passar lembrarei disso como? Que deveria ter feito mais? Aproveitado melhor o processo?

Estou num domingo de sol no sítio no quarto em frente ao computador. Preciso e quero terminar tudo isso. Aproveito a jornada, aprendo, entendo que existem meus limites também.


segunda-feira, 10 de outubro de 2022

 Uma vontade imensa de mudar. De deixar de ser quem sou agora, de pular o tempo. Uma ansiedade absurda, misturada com paralisia. Vontade de sair correndo, sumir, deixar de existir, parar de sentir. 

Nada disso faz sentido. Mesmo assim minha cabeça não sai desse looping. Não consigo me manter acordada e nem dormir. Tudo passa devagar e o tempo corre. 

Um misto de desespero e desesperança. De tristeza com toques de melancolia. De solidão. 


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

J(o)ão

 Eu não sabia que amor podia ser leve assim.

Não sabia que era possível conversar sobre os mal entendidos sem virar a culpada.

Ou que dava pra ser feliz indo no cinema numa segunda só porque é possível. 

Tudo sobre o amor é clichê e um tanto cafona. Nem ligo. Quero gritar ao mundo todo que quero estar com você. 

Veja, eu não preciso de você. E nem você precisa de mim. Juntos ou separados a vida aconteceria.

Estarmos juntos é uma escolha nossa. Que faz sentido, faz bem e é tão leve que fica fácil parecer que não tem nada de racional nisso.

Não que precise ter, afinal, é amor. Mas eu te vejo. E você me vê. E a vida é boa com você.

domingo, 14 de agosto de 2022

Tempo, tempo, tempo

 Fui abatida ontem por uma nostalgia absurda. Do que vivi, do que nem vivi ainda e nem sei se vou viver. Como se eu estivesse vendo o filme da minha vida por fora, sabendo que sentirei falta dessas pessoas, dessa vida, desse momento. Tentando aproveitar e me sentindo terrivelmente culpada por ter que trabalhar o tempo todo. Ainda assim, procrastino, deixando menos tempo para tudo que preciso e quero fazer. Sinto-me animada em alguns momentos e completamente exausta nos momentos seguintes. 

É como se mesmo eu podendo agir me sentisse presa. Quase como se não tivesse pleno controle das minhas escolhas. Mas quem tem, né? Trabalhar é necessário. Mas o tempo é o tecido da vida e não nele existe preço, só valor.

Por vezes sinto culpa por estar roubando algo do João que eu não tenho mais. Ou de me colocar em uma situação em que vou pressioná-lo eventualmente. E eu olho para ele e sinto amor e respeito. Sinto que é recíproco. 

Me esforço tanto e mesmo assim acho que vou decepcionar todo mundo. Que não vou dar conta do mestrado, que não vou dar conta de morar sozinha, que sou uma imensa fraude. Eu sei que não sou, mas esses pensamentos irracionais me invadem e eu não sei o que fazer. Sinto vontade de chorar, de fugir, E agora lembrei que não deveria ter bebido ontem por causa do efeito que tem junto com o ansiolítico. E toda vez que bebo fico assim. Pronto, mais culpa e mais decepção. Para melhorar, não remei nenhum dia essa semana. Perdi minha parceira e a que seria a nova me abandonou. Quanto mais o tempo passa, mais solitária fico.